28.06.2024

Investimento ético: equilibrar lucro e princípios

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Ethical investing: Balancing Profit and Principles

 

O investimento ético consiste em escolher aplicações segundo orientações éticas pessoais e não apenas por critérios financeiros. Esta prática permite alinhar a carteira com os valores e princípios morais de cada um. Os pormenores variam bastante consoante as convicções, mas a ideia de fundo é sempre a mesma: apoiar empresas e setores que correspondam aos padrões éticos do investidor.

O termo é muitas vezes usado como sinónimo de investimento socialmente consciente, mas há uma diferença subtil. O investimento socialmente consciente segue geralmente um conjunto de critérios predefinidos, virados para o bem comum, o que resulta numa abordagem bastante uniforme. Já o investimento socialmente responsável é mais pessoal, ajustado aos princípios e valores éticos próprios de cada investidor. Essa personalização dá origem a escolhas muito variadas, que espelham a diversidade das preocupações éticas entre investidores.

 

Investir com ética significa alinhar o seu dinheiro com os seus valores

O investimento ético permite-lhe aplicar com propósito, alinhando as decisões financeiras com as suas convicções e valores. Quer as suas preocupações sejam ambientais, religiosas ou políticas, a carteira pode refletir aquilo que mais lhe importa.

Esta abordagem deixa-o escolher ativamente para onde vai o seu dinheiro, evitando empresas de setores ou com práticas que chocam com a sua bússola ética. Por exemplo, pode manter-se longe das chamadas «ações do pecado» — jogo, álcool ou armas — ou procurar deliberadamente empresas que defendam a sustentabilidade ambiental ou a justiça social.

Lembre-se: investir segundo os seus valores não é só o que exclui, é também o que abraça. Pode privilegiar setores que contribuam de facto para mudanças positivas, como as energias renováveis, o comércio justo ou empresas com um compromisso firme com a responsabilidade social.

Importa notar que o investimento socialmente responsável é um caminho pessoal. Não há uma receita que sirva a todos, e o que é ético para uma pessoa pode não o ser para outra. O essencial é definir os seus próprios valores, pesquisar a fundo e garantir que as aplicações se ajustam mesmo aos seus princípios éticos. Isso pode implicar examinar empresas uma a uma ou avaliar com cuidado a composição de fundos de índice e fundos de investimento.

Ao investir segundo os seus valores, pode ter um papel ativo na construção de um mundo melhor e, ainda assim, colher recompensas financeiras. É uma forma poderosa de usar o dinheiro como força para o bem, apoiando negócios que partilham a sua visão de um futuro mais sustentável e justo.

 

Uma viagem pela história do investimento ético: da religião aos valores de hoje

O investimento ético não é uma ideia nova; as suas raízes mergulham fundo na história e cruzam-se muitas vezes com crenças religiosas. Nas primeiras formas, os investidores crentes evitavam setores que contrariassem os princípios da sua fé. Por exemplo, os quacres do século XVIII na América proibiam qualquer envolvimento no tráfico de escravos, enquanto o fundador do metodismo, John Wesley, pregava contra investir em indústrias nocivas. Também a

banca islâmica evita há muito aplicações consideradas contrárias à sua fé.

No século XX, foram os valores sociais a guiar as decisões de investimento ético. Essas aplicações espelhavam muitas vezes o clima político e social da época. Nos anos sessenta e setenta, os investidores éticos dos Estados Unidos centraram-se em promover a igualdade e os direitos dos trabalhadores, afastando-se de quem lucrava com a guerra do Vietname.

Já nos anos noventa, as preocupações ambientais passaram para a ribalta, levando os investidores éticos a desinvestir em empresas de combustíveis fósseis e a apostar em energias limpas. Esse foco no impacto ambiental e social continua hoje a ser o motor do investimento ético.

 

Como investir com ética?

Decidiu, então, alinhar os seus investimentos com os seus valores. Mas como fazê-lo na prática? O investimento ético pode parecer intimidante a princípio, mas com algum conhecimento e uma estratégia clara está bem ao seu alcance.

1. Defina os seus critérios éticos

O que mais lhe importa? A sustentabilidade ambiental, a justiça social, o bem-estar animal ou outra coisa? Reserve algum tempo para refletir sobre as suas convicções e identificar os temas que mais o tocam.

2. Identifique os setores a evitar

Decida que setores ou empresas quer excluir da carteira. Entre as exclusões comuns estão o tabaco, o álcool, o jogo, os combustíveis fósseis e a indústria de armamento.

3. Estabeleça critérios claros

Identificados os seus valores, é altura de os traduzir em critérios de investimento aplicáveis. Que setores ou práticas não está disposto a apoiar? Que efeitos positivos quer que as suas aplicações tenham? Faça uma lista clara do que aceita e do que recusa, para orientar as suas decisões.

4. Pesquise

Agora é altura de vestir o chapéu de detetive e escavar a fundo nas empresas que está a considerar. Procure informação transparente sobre o seu impacto ambiental e social, veja o historial em polémicas e avalie o compromisso com uma governação ética. Há muitos recursos que o podem ajudar, incluindo agências de notação em sustentabilidade, como a MSCI, a Sustainalytics e a FTSE Russell, índices de sustentabilidade e relatórios das próprias empresas.

5. Escolha investimentos éticos

Tem várias opções para investir com ética:

  • Ações avulsas — invista diretamente em empresas que correspondam aos seus critérios éticos. Este caminho exige pesquisa aprofundada e verificação cuidada, para garantir que as práticas de uma empresa se ajustam mesmo aos seus valores.
  • Fundos sustentáveis — escolha fundos de investimento ou fundos cotados centrados em empresas com bom desempenho ambiental, social e de governação. Estes fundos dão diversificação imediata e gestão profissional, o que os torna cómodos para o investidor.
  • Obrigações verdes — invista em obrigações que financiem projetos com impacto ambiental ou social positivo. Pode tratar-se de energias renováveis, transporte limpo, habitação acessível ou desenvolvimento comunitário.
  • Investimento de impacto — aposte em aplicações que procurem gerar um impacto social ou ambiental mensurável a par do rendimento financeiro. Esta abordagem vai além de evitar setores nocivos e procura ativamente aplicações que criem mudanças positivas.
  • Crédito entre particulares — explore o crédito entre particulares através da Loanch, que o liga diretamente a mutuários que procuram financiamento para necessidades pessoais ou de negócio.

Escolhendo os créditos com cuidado, pode apoiar pessoas e negócios e ao mesmo tempo obter um rendimento pela sua aplicação. Este tipo de crédito pode ser uma via especialmente eficaz para apoiar comunidades mal servidas e promover a inclusão financeira.

6. Acompanhe os seus investimentos

O investimento ético é um processo contínuo. À medida que as empresas mudam e os seus valores evoluem, poderá ter de ajustar a carteira. Reveja as aplicações com regularidade e reequilibre a carteira, para que continue alinhada com os seus princípios éticos.

7. Dialogue com as empresas

Pondere o ativismo acionista como forma de influenciar o comportamento das empresas. Isso pode passar por votar propostas em assembleia, participar nas assembleias anuais ou dialogar com a administração através das redes sociais para defender práticas éticas.

8. Pondere aconselhamento profissional

Se está a começar no investimento ético ou quer garantir que a carteira está bem diversificada e alinhada com os seus valores, pondere consultar um consultor financeiro especializado neste tipo de investimento.

Exemplos de opções de investimento ético

Obrigações verdes

As obrigações verdes são instrumentos financeiros que financiam projetos ecológicos e dão ao investidor pagamentos regulares ou fixos. Distinguem-se das obrigações comuns num ponto essencial: o dinheiro angariado tem de financiar projetos com impacto ambiental positivo. Podem ser emitidas por governos, organizações e empresas.

 

 

 

Fundos de investimento comunitário

Os fundos de investimento comunitário são instrumentos financeiros pensados para encaminhar capital para projetos e negócios que visam melhorar as condições económicas, sociais e ambientais das comunidades locais.

São muitas vezes geridos por instituições financeiras de desenvolvimento comunitário e podem assumir várias formas: bancos de desenvolvimento comunitário, cooperativas de crédito, fundos de empréstimo e instituições de microfinanças. Dão aos investidores uma via para apoiar iniciativas locais e, ao mesmo tempo, obter um possível rendimento financeiro.

Obrigações de impacto social

As obrigações de impacto social são instrumentos financeiros pensados para enfrentar problemas sociais através de parcerias entre o setor público e o privado — reduzir a falta de habitação e melhorar a educação são bons exemplos.

Nestas obrigações, investidores privados adiantam o financiamento para intervenções sociais executadas por prestadores, muitas vezes organizações sem fins lucrativos. A entidade pública ou o organismo contratante reembolsa os investidores em função do êxito do projeto no alcance dos resultados sociais definidos à partida.

 

 

 

 

O crédito entre particulares como via de investimento ético

Na busca de um investimento ético, em que o dinheiro se alinha com os seus valores, o crédito entre particulares oferece uma via convincente. Não se trata apenas de obter um rendimento: trata-se de influir diretamente na vida de pessoas e pequenos negócios, muitas vezes em comunidades mal servidas pelas instituições financeiras tradicionais.

Dar meios a mutuários e comunidades

Plataformas como a Loanch criam uma ligação direta entre quem empresta e quem pede emprestado, alimentando um sentido de comunidade e de propósito comum. O seu dinheiro não fica no cofre de um banco: financia diretamente o crédito de alguém que dele precisa, seja um pequeno empresário que quer crescer ou uma pessoa que procura apoio para estudos ou despesas médicas.

Ao investir nestes créditos, não gera apenas um rendimento: dá aos mutuários meios para realizarem os seus sonhos e contribui para o crescimento económico das suas comunidades. É uma forma palpável de fazer a diferença com o seu dinheiro.

Transparência e prestação de contas

Uma das marcas do crédito entre particulares é a transparência. Ao contrário da banca tradicional, onde o percurso do dinheiro pode ser opaco, estas plataformas dão em geral informação detalhada sobre os mutuários e os seus projetos. Vê exatamente para onde vai o seu dinheiro e pode acompanhar o efeito da sua aplicação.

Este grau de transparência não só reforça a sua posição de investidor como responsabiliza os originadores de crédito por práticas de concessão responsáveis. Assim cresce, neste ecossistema, uma cultura de confiança e de prestação de contas.

Ajustar as suas aplicações aos seus valores

O crédito entre particulares oferece uma oportunidade singular de alinhar as aplicações com os seus valores éticos concretos. Muitas plataformas permitem filtrar os créditos disponíveis por vários critérios, como:

  • Impacto social. Escolha apoiar créditos destinados a projetos com efeito social positivo, como educação, saúde ou habitação acessível.
  • Sustentabilidade ambiental. Invista em créditos que financiem iniciativas verdes, projetos de energias renováveis ou agricultura sustentável.
  • Negócios liderados por mulheres. Dê força às empreendedoras apoiando especificamente créditos a negócios detidos por mulheres.
  • Comunidades mal servidas. Encaminhe as suas aplicações para créditos que deem acesso a financiamento a pessoas e negócios de comunidades mal servidas. Veja o exemplo da Loanch e da nossa atenção a países do Sudeste Asiático como o Sri Lanka, a Indonésia e a Malásia.

Em conclusão — o seu percurso de investimento ético começa aqui

O investimento ético já não é uma moda. É mesmo um movimento rumo a uma forma mais consciente e responsável de fazer crescer o património. Ao alinhar as suas aplicações com os seus valores, pode fazer uma diferença palpável no mundo e, ainda assim, obter rendimentos atrativos.

Pontos essenciais:

  • Defina os seus valores — determine o que mais lhe importa, seja a sustentabilidade ambiental, a justiça social ou outras preocupações éticas.
  • Estabeleça critérios claros — fixe orientações concretas sobre os tipos de empresas e setores que quer apoiar ou evitar.
  • Pesquise a fundo — investigue o desempenho ambiental, social e de governação das empresas, o seu historial e o compromisso com práticas éticas.
  • Escolha os seus veículos de investimento — explore opções como ações avulsas, fundos sustentáveis, obrigações verdes, investimentos de impacto e crédito entre particulares.
  • Acompanhe e reequilibre — reveja a carteira com regularidade, para que continue alinhada com os seus valores e objetivos.

O crédito entre particulares, em especial, oferece uma oportunidade singular de apoiar diretamente pessoas e negócios, promover a inclusão financeira e investir em projetos alinhados com os seus valores éticos. Com a sua hipótese de rendimentos atrativos, pode ser uma ferramenta poderosa para o investidor ético.

Pronto para começar o seu percurso de investimento ético? A Loanch oferece uma plataforma fácil de usar para investir em créditos entre particulares, casando lucro e princípios. Junte-se a nós na construção de um futuro mais justo, uma carteira ética de cada vez.

 

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